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MERCADO IMOBILIáRIO EM 2019: O QUE ESPERAR?
Publicado em 17/12/2018
 


Especialistas acreditam
que a crise do setor imobiliário chegou ao fim, saiba como será a recuperação.

Um termômetro e tanto da economia brasileira, o mercado imobiliário deve
passar por uma virada em 2019. Especialistas preveem que preço do metro
quadrado vai enfim, começar a subir e o setor viverá uma recuperação ao longo
dos próximos anos. No segmento de imóveis corporativos, essa virada de chave revela uma
última janela de oportunidade para empresas que precisam mudar de escritório
negociarem os preços e também para investidores, que podem aproveitar para
investir nesse segmento com foco nos próximos anos.


“Essa
é a última chance de o inquilino conseguir uma negociação mais favorável. A
vantagem nas negociações deve passar do locador para o locatário em 2019”,
afirma Celina Antunes, presidente da consultoria Cushman & Wakefield na América do Sul,
uma das maiores consultorias no Brasil e que atua no país desde 1994.


Parte
desse otimismo vem dos próprios números de 2018, que mostraram uma melhora
significativa graças a dois fenômenos distintos. De um lado, a melhora da
economia fez a demanda por imóveis subir. Por outro, houve queda na oferta de
novos empreendimentos, já que as incorporadoras passaram a construir menos, em
meio à recessão.

Depois
de seis anos em queda, a venda de imóveis residenciais cresceu cerca de 10%.
Já nos imóveis
corporativos, dados da Cushman & Wakefield mostram a taxa de
vacância em São Paulo atualmente em 21,4%, ante o pico de 29,5% observado em
2016. Quando se leva em consideração os contratos já assinados de empresas que
ainda não mudaram de prédio, essa taxa já cai para 18%.


Além
disso, a absorção líquida nesse segmento (saldo entre ocupações e devoluções de
espaço) em São Paulo chegou a 195.504 metros quadrados em 2018, o melhor
resultado em 5 anos. “Nos últimos anos o que a gente viu foram empresas
aproveitando a queda no preço dos aluguéis para sair de um bairro com
valorização menor e se mudar para um melhor. Mas em 2018 finalmente tivemos uma
absorção real”, ressalta Celina.

O
mercado de imóveis corporativos em São Paulo (CBD AA+)

É
esse cenário de crescimento econômico e maior absorção líquida que deve
continuar impulsionando a queda na vacância dos imóveis corporativos ao longo
de 2019. A Cushman & Wakefield prevê que a vacância em São Paulo caia para
17,5% no próximo ano. A consultoria espera ainda que o preço do metro quadrado saia
dos R$ 88 atuais para algo em torno de R$ 94. “Um prédio que tem 10% de
vacância não tem porque reduzir o preço. Então, os prédios bons vão começar uma
curva contrária, de subir o preço”, afirma Celina.


Dados
do
preço médio pedido em imóveis
corporativos CBD AA+ (Fonte: Cushman & Wakefield)




Para
empresas que desejam se mudar, o movimento observado também deve dificultar a busca
de grandes espaços de escritórios em locais mais valorizados e demandados, como
Faria Lima, Itaim, JK e Vila Olímpia. “Hoje já está difícil arranjar espaços
grandes, acima de 20 mil metros, nas áreas mais procuradas em São Paulo”,
relata.

Diante
desse cenário de melhora, a projeção inicial da Cushman & Wakefield era que
até 2020 a vacância de escritórios na cidade de São Paulo teria uma redução
bastante significativa. Mas a expectativa foi revista recentemente com a
decisão da incorporadora HSI de lançar três torres comerciais no complexo do
Parque da Cidade, na zona Sul de São Paulo. O lançamento, que totaliza cerca de
120 mil metros quadrados, surpreendeu o mercado e mostra um otimismo em relação
à recuperação do setor. “O movimento da HSI ainda é algo isolado, mas para quem
quer começar projetos do zero, a hora é agora”, afirma Celina.
Dados
de vacância em imóveis corporativos CBD AA+
(Fonte: Cushman & Wakefield)




Apesar
de a recuperação do mercado já estar em andamento, uma retomada vigorosa,
afirmam especialistas, só deve acontecer após a realização da reforma da
Previdência. Assim como em outros setores, o mercado de imóveis corporativos
depende desse importante passo para que empresários recuperem o ânimo e decidam
investir no país.  

Imóveis
corporativos Rio de Janeiro (CBD AA+)

Enquanto
São Paulo se recupera, no Rio de Janeiro a expectativa é que a vacância de
imóveis corporativos, atualmente em 39,5%, continue próxima da estabilidade nos
próximos dois anos. Mais do que a crise econômica nacional, a cidade foi afetada
pela crise institucional e de violência que continua assolando o estado, não
parece se recuperar no curto prazo. “O Rio de Janeiro sempre foi muito
dependente de alguns setores como energia, petróleo, gás e serviço público. A
crise afetou profundamente esses segmentos”, afirma Celina.

Um
ponto que favorece os donos de empreendimentos do Rio de Janeiro é o fato de a
cidade não ter muito espaço para novos prédios, o que manteve o preço médio
pedido  em uma faixa mais elevada que a de São Paulo, atualmente em R$
105. A tendência é que o preço se mantenha nesse patamar, mas, para um retomada
vigorosa do mercado, o estado precisa se recuperar.

Galpões
logísticos

Do
lado dos galpões
industriais, a situação entre São Paulo e Rio de Janeiro também é
destoante. No Rio, a absorção líquida ainda está negativa (- 5.650 metros em
2019). Já na Grande São Paulo, houve uma ocupação líquida de 360.400 metros
quadrados acumulados até novembro, a melhor dos últimos 3 anos, segundo a
consultoria Cushman & Wakefield.
Grande parte desse movimento foi impulsionado
por empresas de tecnologia, como e-commerces, que necessitam de grandes galpões
próximos aos principais bairros da cidade, para armazenar milhares de itens e
serem ágeis nas entregas. Com a continuidade da recuperação no setor, o preço
médio dos galpões em São Paulo deve subir dos atuais R$ 18,9 para cerca de R$
20 no próximo ano.



Fonte: InfoMoney
 
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