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Caixa prepara modelo de crédito imobiliário que reduz juros a faixa de 6% ao ano
Publicado em 28/07/2019
 
A Caixa Econômica Federal aguarda autorização de Banco
Central para anunciar, nas próximas semanas, uma redução de até 31,5% dos juros
dos financiamentos imobiliários.

Como o banco estatal detém mais de 70% do crédito habitacional
do país outras instituições também podem derrubar suas taxas para evitar a
perda de novos clientes.

 



Atualmente, os contratos de financiamento habitacional são corrigidos
pela TR (Taxa Referencial, hoje zerada). Os bancos cobram um adicional que
costuma variar de 8,5% a 9,5%.

 



Com a mudança, A Caixa vai reajustar os contratos pela
inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O
IBGE aferiu que esse índice deve fechar em 3,82% neste ano.

 



Apesar de aplicar uma correção que hoje inexiste, na outra
ponta o banco abrirá mão, em um montante maior, de suas próprias taxas, que
acabam por 2% a 3%.

 



Clientes da Caixa ou com boa avaliação de crédito na praça
pagarão juros menores. Isso significa que, na prática, o juro total sofrerá
cortes entre 28% e 31,5% em relação ao modelo vigente.

 



Somando juros e taxas cobrados, seriam 8,5% (no modelo pela
TR), ante 5,82% (no modelo pelo IPCA), e 9,5% (pela TR), ante 6,82% (pelo
IPCA).

 



A direção da Caixa e a Equipe econômica, que avalizou a
mudança, pretendia fazer o anúncio na próxima semana alinhando-se com uma
possível redução da Selic, a taxa básica de jutos da economia que está em 6,5%
ao ano.

 



No entanto, o Banco Central ainda avalia o pedido de mudança
dos indexadores. Caso aprovada, a nova regra só valerá para novos contratos.
Não será possível migrar de um modelo para outro.

 



Com a redução dos juros, o banco pretende estimular novos
empréstimos e, com a receita desses pagamentos, emitir títulos imobiliários no
mercado.

 



O movimento, no entanto, é completamente diferente daquele
implementado pela ex-presidente Dilma Rousseff, que, em 2012, forçou a Caixa e
o Banco do Brasil a cortar juros nos empréstimos.

 



A iniciativa de Dilma não deu resultado. Na época do governo
da petista, os bancos amargaram prejuízos e, pouco depois, voltaram atrás
elevado suas taxas.

 



Desta vez, a ideia da Caixa é reduzir os juros ao trocar o
indexador dos contratos, o que permitirá usar o fluxo de pagamento dos financiamentos
como lastro para a emissão de títulos a serem negociados no mercado, um
processo conhecido como securitização.

 



Com os recursos da venda de papéis, a Caixa poderá conceder
novos financiamentos, amortizando custos.

 



Recentemente, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães,
estimou que poderá emitir até R$ 100 bilhões em papéis lastrados com
financiamentos imobiliários. No primeiro ano, esse número seria de R$ 10 bilhões.

                                                                                                                                         

Cálculos conservadores indicam que a Caixa poderia dobrar
sua carteira de crédito habitacional, passando dos atuais R$ 449 bilhões, no
primeiro trimestre deste ano, para quase R$ 1 trilhão.

 



Nos EUA, o mercado de securitização imobiliária causou uma
das mais graves crises financeiras mundiais. Em 2008, grandes bancos foram à
lona por terem adquirido títulos podres de hipotecas americanas.

 



Para evitar esse risco, a Caixa só vai securitizar financiamentos
com índice baixo de inadimplência, Contratos do Minha Casa Minha Vida, por
exemplo, ficarão fora.

 



Hoje, mais de 90% de sua carteira de crédito imobiliário tem
atraso de, no máximo, dois meses.

 



“Para o investidor, é muito melhor você comprar um papel que
segue um indicador de mercado [o IPCA, que mede a inflação]”, diz Daniel Malheiros,
sócio da RBR Asset. “A TR é um índice muito sensível ao risco de governo.”

 



Para Malheiros, a mudança levaria o investidor a considerar
a compra de um título imobiliário. Hoje, quem compra um título do Tesouro já
prefere o pós-fixado. “Os [títulos do Tesouro] mais procurados são aqueles
corrigidos pela inflação.”

 



A iniciativa da Caixa está alinhada com uma estratégia do
governo de reacender a economia, que flerta com a recessão.

 



Desde o início do governo Jair Bolsonaro, há seis meses, a equipe
econômica rebaixou três vezes a estimativa oficial de crescimento para este
ano.

 



A área de construção costuma ser o principal sensor da atividade
econômica.

 

Quando o setor vai bem, passa a contratar, arrastando outros
ramos de atividade porque está entre os que mais demandam trabalhadores.

 



Até o momento, a Caixa tinha anunciado uma redução de 1,25
ponto percentual nas taxas de juros para financiamentos imobiliários concedidos
com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que hoje
responde por quase 40% do total dos financiamentos.

 



Também abriu rodadas de renegociação de contratos em atraso
concedendo, em alguns casos, até 90% de descontos de juros. Essa campanha
atingiu 2,3 milhões de pessoas.

 



No governo e na cúpula do banco, a redução ampla dos juros
imobiliários é considerada uma “revolução”. O plano foi traçado por Guimarães,
da Caixa, durante a transição.

 



Essa queda faz parte de um conjunto de medidas para reaquecer
a economia que deve ser anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro.

 



Dentre elas, está a possibilidade de saques das contas
ativas e inativas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e do PIS/Pasep,
que podem movimentar mais R$ 30 bilhões.

 


O ministro da Economia, Paulo Guedes, só pretendia liberar
os saques depois de aprovada a reforma da Previdência no Congresso.

 

No entanto, com a queda consecutiva da atividade econômica,
preferiu dar uma injeção no PIB, que pode crescer até 0,4 ponto percentual com
essa medida.

 



QUASE UM TERÇO MAIS BARATO


 



Caixa vai mudar regras para reduzir juros de financiamentos
habitacionais


 



Como é hoje?



Os contratos são corrigidos pela TR (Taxa Referencial, hoje
zerada) e o banco cobra uma taxa adicional sobre esse valor, que varia de 8,5%
a 9,5% ao ano

 



Como ficará?



Os contratos dever ser corrigidos pelo IPCA (Índice de Preços
ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE, e o banco deve cobrar uma taxa
adicional entre 2% e 3% ao ano. Como o IPCA projetado para este ano é de 3,82%,
na prática, os juros dos financiamentos devem girar entre 5,82% e 6,82% ao ano.

 



Por que a Caixa está fazendo isso?



Ao mudar a indexação dos contratos, o banco consegue emitir
títulos no mercado que terão como garantia o pagamento das parcelas dos
financiamentos habitacionais. Com a venda desses títulos, a Caixa conseguirá
compensar a redução das taxas adicionais e ampliar a oferta de crédito imobiliário

 



Não há risco?



A caixa responde por mais de 70% do crédito imobiliário do
país, e mais de 90% dessa carteira tem inadimplência muito baixa

 



31,5%



Será a redução máxima de juros para os clientes que forem da
Caixa e tiverem bom histórico de pagamento; para os demais, a redução pode ser
de 28%

 



R$ 100 Bilhões



É o potencial previsto pela Caixa para emissão de títulos a
partir deste ano

 



R$ 447 bilhões



Foi o saldo da carteira de crédito imobiliário da Caixa no
primeiro trimestre deste ano. Deste total, fatia de 40% foi concedida com
recursos do FGTS

 



Fonte: Caixa
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/caixa-prepara-modelo-de-credito-imobiliario-que-reduz-juros-a-faixa-de-6-ao-ano.shtml
 
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